BRASÍLIA – “Defender a Amazônia é defender as pessoas que moram lá”, declarou o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM), ao cobrar do Ministério dos Povos Indígenas posicionamento sobre os impactos socioeconômicos, consultas públicas e critérios técnicos relacionados ao processo de demarcação de terra indígena no município de Barcelos, no interior do Amazonas.
O parlamentar alertou sobre a influência de agentes externos que utilizam a pauta da preservação ambiental sem conhecer a realidade regional da Amazônia e classificou como “radicalismo ambiental” a postura daqueles que ignoram a realidade das milhares de famílias que dependem da terra e dos rios para sobreviver.
“Uma ONG de São Paulo, com o apoio do governo Lula, quer demarcar 80% da região de Barcelos como terra indígena. Na cabeça deles, o amazonense que não é indígena é destruidor da Amazônia. Só que ninguém dessa ONG mora na região para saber o que realmente acontece lá”, explicou.
Impacto regional
Alberto Neto contextualizou que a demarcação de terras indígenas é uma matéria constitucionalmente sensível e exige cautela do Poder Público, especialmente no Amazonas, onde qualquer decisão territorial traz impactos diretos sobre municípios inteiros, comunidades tradicionais, produtores rurais, trabalhadores e famílias que dependem da utilização sustentável da terra e dos rios para sobreviver.
“Essa pauta deve ser conduzida com responsabilidade, segurança jurídica, transparência e profundo equilíbrio entre a preservação ambiental e a realidade socioeconômica das populações locais. Quero ver se eles defenderiam essa demarcação se a família deles dependesse do rio, da terra e do turismo, como os moradores de Barcelos dependem”, disse.
No documento, Alberto Neto questiona se o Governo Federal realizou estudos técnicos que considerem os impactos reais na arrecadação municipal, logística regional, circulação fluvial e produção rural. O deputado critica a postura de entidades que recebem recursos estrangeiros, mas desconhecem a dinâmica da vida no interior do Amazonas.
“Você deixaria um desconhecido dizer o que você deve ou não fazer dentro da sua casa? Pois é o que está acontecendo em Barcelos”, afirmou o parlamentar. “Não se trata de oposição aos direitos indígenas, mas de impedir que o amazonense seja tratado como destruidor da floresta por quem nunca morou na região.”
Ele ressaltou ainda a manifestação encabeçada pela comunidade indígena local contra o processo. “Os próprios indígenas puxaram manifestação contra essa demarcação. O que essas ONGs defendem é radicalismo ambiental, não é preservação da Amazônia. A preservação passa por cuidar do povo que mora na Amazônia também!”, completou.
Preservação com Pessoas
Capitão Alberto Neto destacou que o Amazonas já preserva mais de 90% de seu território, sendo um exemplo mundial. Para o deputado, qualquer nova restrição territorial sem diálogo institucional aprofunda a vulnerabilidade social de uma região que já sofre com o isolamento geográfico e a baixa infraestrutura.
“Será que proteger a Amazônia virou sinônimo de tirar empregos e deixar milhares de trabalhadores sem condições de sustentar suas famílias? A preservação passa por cuidar do povo”, concluiu Capitão Alberto Neto, convocando a população a cobrar um posicionamento claro do Poder Público contra medidas que ameacem a dignidade e o sustento do trabalhador amazonense.
Foto: Arquivo Assessoria
Fonte: Juliana Mattos