Há avanço em diferentes aspectos na forma de apresentar os bois e a partir da expressiva mobilização que provocam tratar de questões sensíveis na busca de promover modos de enfrentamentos.
Na noite deste domingo (28), o Festival Folclórico encerra a jornada de 2026 e, na segunda-feira, torcedores e o público conhecerão o vencedor. Sem ignorar a ansiedade pelo resultado final da batalha de três noites dos bumbás e qual a pontuação de cada item do boi, o espetáculo deste festival é um processo de aprender brincando, torcendo, apreciando, descobrindo significados.
Foram mais de 100 mil pessoas reunidas em torno das cores azul e vermelho ou da junção das duas mobilizadas pelo espetáculo proporcionado pela festa folclórica da ilha. Os dois bois, nesta edição de nº 59, apresentaram temas que remetem ao exercício de conhecer a história na arte de folclorear. O boi azul durante as três noites desenvolveu o enredo “Caprichoso: Brinquedo que canta o seu chão”, e o boi vermelho apresentou “Parintins – Portal do Encantamento”.
Há avanço em diferentes aspectos na forma de apresentar os bois e a partir da expressiva mobilização que provocam tratar de questões sensíveis na busca de promover modos de enfrentamentos. Algumas delas tratam da inclusão das mulheres, dos indígenas, dos quilombolas, negros, da comunidade LGBTQUIAPN+ nos itens que compõem o boi.
Ampliar tais presenças desde o pensar o roteiro até o desenvolvimento do boi na arena do bumbódromo não é uma concessão. São processos internos de luta que reivindicam aos bois outras posturas e respostas capazes de atender as reivindicações dos diferentes segmentos que fazem o boi-bumbá de Parintins acontecer.
Quanto mais o movimento representado pelos bumbás avançar na diversidade, na inclusão, no respeito à Natureza e na promoção de conhecimento a respeito da Amazônia maior será o valor dessa festa. Brincar de boi, a cada ano, move diferentes setores e energias que querem a alegria de ser parte e, nesse movimento, vários pressionam as direções dos bumbás a se posicionarem politicamente na defesa das culturas amazônicas e pan-amazônicas, da ecologia e da sociobiodiversidade.
O “ser parte da galera” nesta direção e nesse ambiente é participar de algo maior, uma espécie da pedagogia da brincadeira que no performar envolve, estabelece comunicação profunda e faz milhares de pessoas cantarem as toadas, espalhando mensagens ao mesmo tempo, como pede algumas das danças, dando as mãos.
O festival de 2026 se encerra e deixa mais itens para serem observados, sentidos e trabalhados no próximo ano. Que a vontade de ser plural seja o norte nessa brincadeira.
(Foto: Divulgação SECOM)
Fonte: /A critica