Ouvir rádio

Pausar rádio

Offline
Blogs & Colunas
Especialista recomenda acompanhamento após exposição ao estireno
Publicado em 22/07/2026 10:36
Saúde e Ciências

Especialista alerta que as pessoas que foram expostas ao gás estireno que vazou de um dos tanques da empresa Innova semana passada devem passar por monitoramento a médio e longo prazo com avaliação clínica neurológica e respiratória.

 

A aparente volta à normalidade no Polo Industrial de Manaus, após cinco dias de vazamento de monômero de estireno causado pelo superaquecimento de um dos tanques de armazenamento da substância na indústria Innova, no Distrito Industrial, no dia 16 de julho, não deve ser encarada como o final feliz do infeliz episódio.

 

Para as 648 pessoas que foram atendidas nas redes pública e privada de saúde, o episódio continua e merece atenção. As pessoas que foram expostas ao gás, mesmo que não tenham ido parar no atendimento hospitalar, também devem ficar atentas.

 

De acordo com a chefe do Setor de Farmácia Hospitalar do HUGV-Ufam, Sangely Mendonça, a exposição ao estireno pode causar tanto sintomas imediatos (irritação de mucosa, desconforto respiratório, dor de cabeça, tontura, confusão mental, etc), quanto a médio e longo prazo (sequelas neurológicas e respiratórias).

 

Sangely alerta que os grupos mais vulneráveis e que precisam de acompanhamento são os trabalhadores com exposição ocupacional direta, residentes próximos ao local de vazamento, crianças e gestantes.

 

“Não existem critérios padronizados universalmente aceitos para liberação após exposição aguda ao estireno, mas a avaliação deve integrar a resolução clínica dos sintomas e confirmação de ambiente seguro”, afirma.

 

Monitoramento e avaliação clínica dos trabalhadores e moradores do entorno deve ser uma das prioridades neste período pós-acidente, alerta a especialista.

 

“O ideal é que haja monitoramento na fase aguda, nas 48h a 72h imediatamente após a exposição, e a médio prazo, um a três meses depois, com avaliação clínica neurológica e respiratória e, a longo prazo, para os trabalhadores com exposição ocupacional contínua, que devem permanecer sob vigilância médica”, afirma.

 

PREVENÇÃO

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Valdemir Santana, afirmou que muitas empresas não cumprem o grau de risco, que é uma uma classificação quantitativa e legal que mede a probabilidade e a gravidade de acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais.

 

“Não cumprem o grau de risco onde as pessoas trabalham, nem o CNAE [Classificação Nacional de Atividades Econômicas] das empresas”, afirmou.

 

Valdemir informou que a CUT já solicitou que os órgãos fiscalizadores esvaziem os tanques envolvidos no sinistro.

 

“Voltaram ao normal, o cheiro está muito pouco, mas isso não pode mais acontecer”, disse o sindicalista, para quem o grande prejuízo é da saúde mental dos trabalhadores.

 

“Ainda bem que temos a convenção coletiva que obriga as empresas a fornecer plano de saúde aos trabalhadores. Lotou de trabalhadores nas unidades que atendem os planos”, afirmou.

 

Valdemir também citou a necessidade de cumprimento da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes gerais e os requisitos de Saúde e Segurança no Trabalho (SST) no Brasil. Ela determina obrigações como o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e a elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para empresas com empregados sob o regime CLT.

 

Além disso, a NR-1 exige a investigação e análise de todos os acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, independentemente do porte da empresa ou da obrigatoriedade de possuir Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT).

 

“O que falta é o estado fiscalizar. Gostaria que o sindicato tivesse esse poder de fiscalizar porque ainda não temos”, diz o presidente da CUT.

 

Fiscalização

O presidente da CUT/AM, Valdemir Santana disse que solicitou que os órgãos fiscalizadores esvaziem os tanques envolvidos no incidente. 648 atendimentos -- Foi o número de pessoas expostos ao estireno atendidos nas unidades de saúde.

 

Peritos realizam avaliação

O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC), da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), iniciou, nesta segunda-feira, os trabalhos periciais nas instalações da empresa onde ocorreu o vazamento de gás estireno, no Distrito Industrial.

 

Nesta primeira etapa, os peritos realizam uma avaliação preliminar com o objetivo de obter informações sobre o ocorrido, utilizando, entre os recursos empregados, drone para o levantamento e registro da área.

 

As análises periciais terão continuidade nos próximos dias. O laudo não tem prazo para conclusão em razão do volume de informações que ainda serão levantadas e analisadas em conjunto com os vestígios encontrados no local. A perícia busca esclarecer as circunstâncias do sinistro, e todas as hipóteses relacionadas ao caso serão avaliadas tecnicamente.

 

Inquérito apura incidente

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) também investiga o acidente, por meio de um Inquérito Policial (IP) instaurado, a ser conduzido pelo 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP), para apurar todas as circunstâncias relacionadas ao fato. A PC informa que não é possível, no momento, a divulgação de mais detalhes, a fim de não comprometer o andamento das investigações.

 

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) mantêm o acompanhamento diário das medidas que têm sido adotadas pela empresa desde o início do vazamento.

 

O CBMAM segue atuando para manter o resfriamento do tanque até a desativação total do reservatório. No domingo, os Bombeiros contiveram o vazamento do gás, após trabalho ininterrupto de resfriamento do tanque afetado. Em análises realizadas no local não foi constatado qualquer resíduo do gás estireno, tanto no entorno como dentro da área que havia sido isolada.

 

Ainda na noite do domingo, equipes do órgão, Defesa Civil e técnicos da empresa fizeram uma nova análise da qualidade do ar acerca da presença do gás estireno em escolas e empresas do entorno, que não detectou a presença do gás. O monitoramento na região continuará de forma preventiva.

 

Com a emissão zero do produto na atmosfera, demonstrando não existir risco à saúde pública, as atividades das empresas no entorno da fábrica onde ocorreu o sinistro, além de escolas públicas e serviços públicos, que tiveram suas atividades paralisadas, voltaram ao funcionamento normal nesta segunda-feira.

 

Instituto monitora medidas

O Ipaam realizou de forma independente e com apoio de uma empresa especializada em tecnologia territorial e sensoriamento remoto, a coleta das informações térmicas, por meio de drone com câmera termográfica, para serem analisadas pela equipe técnica do órgão ambiental.

 

A temperatura da parte central do tanque de monômero de estireno envolvido no vazamento de vapores registrado no Distrito Industrial I, em Manaus, apresentou redução após avaliação técnica realizada pelo órgão.

 

Além da avaliação térmica, equipes de químicos e técnicos do Ipaam permanecem acompanhando as medidas adotadas no local, incluindo as ações de contenção, o direcionamento dos efluentes gerados durante o resfriamento do tanque e os procedimentos executados para minimizar possíveis impactos ambientais.

 

Com a conclusão da etapa emergencial e o encerramento da reação química no tanque, o instituto irá fiscalizar a desmobilização e retirada do reservatório afetado, além de acompanhar a destinação ambientalmente adequada do material remanescente armazenado no tanque e dos resíduos gerados durante o processo, incluindo o polímero resultante da reação química.

 

Também serão acompanhados o tratamento dos efluentes provenientes das ações de resfriamento e os procedimentos adotados para evitar novos impactos ambientais.

 

Paralelamente, as equipes técnicas do instituto realizarão a avaliação preliminar dos possíveis impactos ambientais decorrentes do incidente e poderão fundamentar a exigência de medidas de controle, recuperação ambiental ou outras providências previstas na legislação, caso sejam identificadas necessidades após a conclusão das avaliações técnicas.

 

Trabalhadores da empresa Elgin, no Polo Industrial de Manaus, no entorno do vazamento da Innova, passaram mal por exposição ao gás estireno e receberam atendimento médico

(Foto: Reprodução)

Fonte: Omar Gusmão/Acrítica

 

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!